A viagem corporativa agora começa numa conversa: IA, ChatGPT, Claude e Gemini na gestão de viagens
Solicitar e aprovar viagens, prestar contas e gerar relatórios pelo ChatGPT, Claude ou Gemini. O que a IA nas viagens corporativas muda para compras.Os assistentes de IA já fazem parte da rotina de trabalho. A próxima fronteira é conectá-los às plataformas de viagens corporativas, e isso muda a forma como compras governa a categoria.
Todo gestor de compras já viu esta cena. A empresa contrata uma plataforma de viagens, treina os usuários e publica a política. Meses depois, parte das solicitações continua chegando por e-mail e WhatsApp, os relatórios de despesas atrasam, e a área de compras precisa pedir ao fornecedor uma planilha sempre que quer entender para onde foi o dinheiro.
O problema raramente é a falta de sistema. O problema é que o sistema fica numa aba que ninguém abre por vontade própria. Enquanto isso, a mesma pessoa passa o dia conversando com o ChatGPT, o Claude ou o Gemini para escrever e-mails, resumir documentos e analisar dados.
A tendência mais importante das travel techs em 2026 é justamente levar a gestão de viagens para dentro dessa conversa.
Da tela para a conversa
A mudança é viabilizada por conexões entre os assistentes de IA e sistemas externos. O padrão que tem se consolidado no mercado é o MCP (Model Context Protocol), protocolo que permite a modelos de inteligência artificial acessar informações de sistemas externos de forma estruturada.
Na prática, o usuário deixa de navegar por menus e passa a pedir o que precisa em linguagem natural. A plataforma continua lá, com suas regras, aprovações e integrações. O que muda é a porta de entrada.
O movimento não se limita a viagens corporativas. Empresas de turismo de lazer também já permitem que o viajante descubra atividades, consulte disponibilidade e monte o carrinho sem sair da conversa com a IA. Quando o consumidor se acostuma a comprar assim na vida pessoal, a expectativa chega ao trabalho.
O case Loupit: gestão de viagens pelo assistente que o usuário já usa
A Loupit é a primeira travel tech focada em marketplace de viagens corporativas a adotar a inteligência artificial na gestão completa de viagens. Conectamos a plataforma ao ChatGPT, ao Claude e ao Gemini, para que o viajante, o aprovador e o gestor usem o assistente que já têm no dia a dia:
- Solicitar viagens. O usuário descreve a necessidade ("reunião em Recife na terça, volto na quarta à noite") e recebe opções dentro da política da empresa.
- Aprovar viagens. O aprovador vê as solicitações pendentes, confere se estão dentro da política e aprova ou recusa pela própria conversa, sem entrar em outro sistema.
- Encontrar as melhores datas. A IA compara combinações de datas e horários e aponta as mais econômicas para aquela viagem, algo que antes exigia horas de pesquisa.
- Fazer a prestação de contas. Despesas são lançadas e conferidas em conversa, sem formulários longos e sem atraso no fechamento.
- Gerar relatórios e insights. O gestor pergunta quanto a área gastou no trimestre, quais rotas mais pesaram ou onde a política está sendo descumprida, e recebe a resposta na hora, sem pedir relatório ao fornecedor.
- Pedir dicas de economia e de gestão. A IA sugere ajustes de antecedência, fornecedores e regras da política com base no histórico real da empresa.
A política, as aprovações e o marketplace de viagens corporativas, com diferentes agências disputando cada reserva, continuam valendo. A IA não substitui a governança. Ela torna a governança fácil de seguir.
O que muda para compras e procurement
Adesão deixa de depender de treinamento. Quando solicitar uma viagem é tão simples quanto mandar uma mensagem, o incentivo para comprar por fora diminui. Em gestão de viagens, facilidade de uso é ferramenta de compliance.
O dado chega a quem decide. Hoje, boa parte da inteligência sobre a categoria fica presa em relatórios padronizados. Com a IA, o gestor de compras faz a pergunta que precisa antes de uma negociação, no momento em que precisa.
A economia acontece antes da compra. Datas flexíveis, antecedência e escolha do fornecedor são as maiores alavancas de custo de uma viagem. A IA atua exatamente nesse momento, quando ainda é possível mudar a decisão.
A agência muda de papel. Com a operação rotineira resolvida em conversa, a agência de viagens corporativas concentra esforço onde gera mais valor: exceções, emergências e negociação com fornecedores.
Cinco perguntas para fazer ao fornecedor antes de contratar
Nem toda travel tech está preparada para operar por inteligência artificial. Antes de contratar, pergunte:
- A política da empresa é aplicada dentro da conversa? A IA precisa oferecer opções já filtradas pelas regras, e não só buscar preço.
- Quem vê o quê? O acesso pelo assistente deve respeitar as mesmas permissões da plataforma. O viajante vê as próprias viagens, o gestor vê a sua área.
- As aprovações continuam rastreáveis? Seja feita na plataforma ou pela IA, toda aprovação deve respeitar a mesma alçada e ficar registrada para auditoria.
- Funciona com os assistentes que a empresa já adotou? Exigir que os usuários mudem de ferramenta anula boa parte do ganho de adesão.
- Como os dados da empresa são tratados? Vale entender onde os dados trafegam e como a integração se enquadra nas regras de segurança e LGPD da empresa.
O que esperar para 2027
Minha previsão é que, em 2027, as viagens corporativas passem a ser cada vez mais solicitadas e geridas por inteligência artificial. Pedir, aprovar, remarcar e prestar contas vai acontecer na conversa, enquanto a plataforma trabalha por trás, aplicando a política e registrando cada passo.
Mas a mudança vai além da interface. O próximo estágio é a IA assumindo protagonismo nas decisões — não só executando pedidos, mas recomendando o melhor momento para viajar, escolhendo o fornecedor mais econômico dentro da política, identificando despesas fora do padrão antes que virem problema e sugerindo ajustes na política com base no comportamento real dos viajantes. Tudo isso com supervisão humana mínima: o gestor entra no processo nas exceções, não no fluxo.
Para compras, isso muda o critério de escolha do fornecedor: além de tela e tarifa, vai pesar o quanto a travel tech age de forma autônoma dentro das regras da empresa — e o quanto ela registra cada decisão para auditoria.
Isso não significa tirar as pessoas do processo. Viagem tem imprevisto: voo cancelado, conexão perdida, hotel que não confirma. Nessas horas, o viajante precisa de gente do outro lado. E uma boa decisão de compra continua dependendo de comparar opções reais, lado a lado.
Na Loupit, levamos a gestão completa por inteligência artificial para o modelo de marketplace de viagens corporativas, sem abrir mão do atendimento humanizado e do nosso consagrado comparador de viagens.
Esse tema será aprofundado no Fórum de Compras Inbrasc
No dia 7 de outubro de 2026, eu e Leonardo Crispim, CTO da Loupit, subimos ao palco do Fórum de Compras para debater como fazer uma gestão de viagens corporativas eficiente, incluindo, na prática, como a inteligência artificial já está mudando a solicitação, a aprovação e a análise de gastos com viagens.
Quer ver como funciona? Conheça a travel tech Loupit e o nosso marketplace de viagens corporativas.
Por Patrick Tytgadt, CEO da Loupit e especialista em Travel Tech
*Os artigos assinados por parceiros da Live University refletem exclusivamente a opinião de seus autores e não representam necessariamente o posicionamento oficial da Live University, suas escolas ou empresas parceiras.