AI Agents em Procurement: quando a IA deixa de ajudar e começa a comprar?
A Inteligência Artificial já deixou de ser uma promessa distante para se tornar parte da rotina de diversas áreas corporativas. Em Procurement, essa transformação ganha uma dimensão ainda mais estratégica: até onde a IA pode apoiar decisões, automatizar processos e, de fato, assumir parte das atividades de compras?
Foi a partir dessa provocação que o Supply Leaders Club reuniu executivos e especialistas para uma manhã de conteúdo, troca de experiências e networking sobre um dos temas mais relevantes para o futuro da área:
“AI Agents em Procurement: Quando a IA deixa de ajudar e começa a comprar?”
O encontro foi conduzido por Alex Leite, Diretor Corporate da Live University, que trouxe uma abordagem prática sobre o avanço dos agentes de IA e o impacto dessa tecnologia na atuação dos profissionais de Procurement.
A conversa também contou com dois executivos que estão vivenciando essa transformação dentro de grandes operações globais: Hure de Andrade, Diretor de Compras da Dow para a América Latina, e Rodrigo Dutra, Head de Compras da Galderma.
Da IA que apoia para a IA que executa
Se antes a Inteligência Artificial era utilizada principalmente para organizar informações, gerar análises ou acelerar tarefas, o avanço dos chamados AI Agents abre uma nova possibilidade: sistemas capazes de interpretar informações, tomar decisões dentro de determinados parâmetros e executar ações de forma cada vez mais autônoma.
E isso muda a conversa em Procurement.
A questão deixa de ser apenas “como podemos usar IA para fazer melhor?” e passa a ser: “Quais decisões e atividades podemos permitir que a IA execute e sob quais regras?”
Foi justamente esse cenário que permeou as discussões do encontro do Supply Leaders Club.
Mais do que falar sobre tecnologia de forma conceitual, o encontro trouxe experiências reais de empresas que já estão avançando nessa jornada, mostrando que a transformação de Procurement envolve muito mais do que implementar uma nova ferramenta.
Ela passa por estratégia, dados, processos, governança e, principalmente, pela preparação das equipes para trabalhar em conjunto com a tecnologia.
Case Dow: IA conectada à estratégia global de Procurement
Durante o encontro, Hure de Andrade, Diretor de Compras da Dow para a América Latina, compartilhou a experiência da companhia na incorporação da Inteligência Artificial à operação regional.
O case mostrou como uma estrutura de Procurement conectada a uma estratégia global pode utilizar tecnologia para aprimorar a tomada de decisão, aumentar a eficiência e preparar a área para um cenário cada vez mais orientado por dados e automação.
Mais do que simplesmente automatizar tarefas, a discussão mostrou a importância de entender onde a IA realmente gera valor para o negócio e como sua adoção precisa estar alinhada aos objetivos estratégicos da organização.
Case Galderma: tecnologia, valor e pessoas no centro da transformação
Na sequência, Rodrigo Dutra, Head de Compras da Galderma, trouxe a perspectiva da empresa sobre a transformação digital de Procurement na operação LATAM.
O case apresentou como a combinação entre Inteligência Artificial, transformação digital e atuação estratégica de Procurement pode contribuir para geração de valor, fortalecimento da governança e desenvolvimento de equipes de alta performance.
A experiência da Galderma reforçou um ponto importante da discussão: a tecnologia não substitui uma estratégia de Procurement bem estruturada, ela potencializa essa estratégia.
Quando processos, pessoas, dados e tecnologia trabalham de forma integrada, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a fazer parte da evolução do modelo operacional da área.
E quando a IA começa a comprar?
Depois dos cases, a discussão ganhou um caráter ainda mais prático com Alex Leite, Diretor Corporate da Live University.
Em aulas práticas, os participantes puderam explorar de forma mais próxima como os AI Agents podem ser aplicados ao contexto de Procurement, saindo do conceito e entrando nas possibilidades reais de utilização da tecnologia.
A proposta foi justamente provocar uma nova reflexão sobre o papel do profissional de compras.
Imagine, por exemplo, uma IA capaz de identificar uma necessidade, analisar fornecedores, comparar condições comerciais, negociar dentro de parâmetros previamente definidos e recomendar, ou até executar, uma compra.
Nesse cenário, o profissional deixa de ser responsável por cada etapa operacional do processo e passa a atuar cada vez mais na definição das estratégias, regras, limites e critérios que orientam essas decisões.
É aqui que a pergunta central do encontro ganha força.
Quando a IA deixa de ajudar e começa a comprar?
A resposta provavelmente não está em um único momento ou tecnologia. Ela está na evolução gradual da autonomia dos agentes e na capacidade das empresas de estabelecer governança, segurança e critérios claros para essa autonomia.
O novo papel de Procurement na era dos AI Agents
Os debates do encontro mostraram que a transformação provocada pela IA não está apenas relacionada à redução de tarefas manuais.
Ela pode representar uma mudança no próprio papel estratégico de Procurement.
Com agentes assumindo atividades cada vez mais operacionais e analíticas, os profissionais podem concentrar mais energia em questões que exigem visão de negócio, gestão de riscos, relacionamento, negociação estratégica, inovação e tomada de decisões complexas.
Ao mesmo tempo, essa evolução traz novos desafios.
Quanto mais autonomia a IA ganha, maior é a necessidade de definir:
- Quais decisões podem ser automatizadas;
- Quais precisam de aprovação humana;
- Quais dados podem ser utilizados;
- Como garantir segurança e conformidade;
- Como monitorar as decisões tomadas pelos agentes;
- E quais competências os profissionais de Procurement precisarão desenvolver.
Ou seja: a transformação não acontece apenas na tecnologia. Ela acontece no modelo de trabalho.
Um encontro para trocar experiências e repensar o futuro
Foi justamente essa combinação entre cases reais, conteúdo prático e troca entre executivos que tornou o encontro do Supply Leaders Club tão relevante.
De um lado, experiências de grandes empresas como Dow e Galderma mostraram como a Inteligência Artificial já está sendo incorporada às estratégias de Procurement.
Do outro, as aulas práticas conduzidas por Alex Leite ajudaram os participantes a visualizar como os AI Agents podem sair do campo das possibilidades e começar a fazer parte da rotina da área.
Mais do que responder se a IA vai transformar Procurement, o encontro colocou uma pergunta mais interessante na mesa:
como as empresas vão se preparar para um cenário em que a IA não apenas recomenda o que comprar, mas também pode participar ativamente da decisão e da execução da compra?
O futuro de Procurement talvez não seja sobre escolher entre pessoas ou tecnologia.
Talvez seja sobre construir uma nova forma de trabalhar, na qual pessoas definem a estratégia, agentes executam com autonomia e a governança garante que tudo aconteça na direção certa.
Confira os registros do encontro
Além de muito conteúdo e troca de experiências, o encontro também foi marcado por networking e participação ativa dos membros do Supply Leaders Club.
CONFIRA AS FOTOS DO ENCONTRO → Supply Leaders Club 27.08
Acompanhe os registros e reviva alguns dos momentos dessa conversa sobre o futuro de Procurement.
Sobre o Supply Leaders Club
O Supply Leaders Club é um espaço dedicado à troca de experiências, conhecimento e networking entre líderes e profissionais de Supply Chain e Procurement.
Por meio de encontros exclusivos, o Club promove discussões sobre os principais desafios e tendências que estão transformando a área, conectando executivos, especialistas e empresas em torno de uma agenda de inovação e evolução profissional.