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Maturidade tecnológica em Supply Chain: o que o IMTS revela sobre as empresas brasileiras

A transformação digital já faz parte da agenda das áreas de Supply Chain. Plataformas integradas, automação, inteligência artificial e análise de dados aparecem cada vez mais nos planos das empresas. Mas existe uma diferença importante entre adotar tecnologias pontuais e desenvolver, de fato, uma operação tecnologicamente madura.

É justamente essa distância que o Índice de Maturidade Tecnológica em Supply Chain (IMTS) ajuda a compreender. Desenvolvido pela Live University | Inbrasc, o estudo é o primeiro benchmark nacional criado para mapear o nível real de digitalização, automação e uso de inteligência artificial nas áreas de Supply Chain das empresas brasileiras.

Mais do que registrar quais soluções já estão presentes nas organizações, o IMTS permite observar como essas tecnologias se conectam aos processos, às pessoas e às decisões do negócio. Os resultados mostram um cenário de avanços importantes, mas também revelam que boa parte do potencial tecnológico ainda não foi convertida em aplicações estruturadas e ganhos de maturidade.

Tecnologia presente não significa maturidade consolidada

Um dos principais aprendizados do IMTS é que a maturidade tecnológica não depende apenas da quantidade de ferramentas contratadas. Ela exige integração, processos bem definidos, dados confiáveis e equipes preparadas para transformar recursos tecnológicos em melhores decisões.

Nesse contexto, o pilar IMTS Stack, que avalia a estrutura de plataformas e soluções utilizadas em Supply Chain, aparece como o de maior maturidade tecnológica, com índice 88. O dado sugere que muitas empresas já construíram uma base relevante de sistemas e ferramentas.

O desafio está em fazer essa estrutura operar de forma coordenada. Sistemas isolados, bases de dados fragmentadas e processos pouco padronizados podem limitar o retorno dos investimentos, mesmo quando a organização dispõe de boas soluções tecnológicas.

Por isso, a pergunta mais importante deixa de ser “qual tecnologia precisamos comprar?” e passa a ser “qual problema do negócio queremos resolver e o que precisa mudar para que a tecnologia gere valor?”.

Pedidos e atendimento ao cliente lideram o avanço dos processos

Entre os processos avaliados, pedidos e atendimento ao cliente aparecem como os mais avançados, com indicador de 36%. O resultado faz sentido diante da crescente pressão por agilidade, visibilidade e qualidade da experiência do cliente.

Áreas ligadas ao processamento de pedidos costumam concentrar iniciativas de integração, acompanhamento de status, automação de tarefas e comunicação com clientes. Além de aumentar a eficiência operacional, essas soluções podem reduzir erros, melhorar o nível de serviço e permitir respostas mais rápidas a desvios.

Ao mesmo tempo, o índice mostra que ainda existe um amplo espaço para evolução. A maturidade precisa avançar por toda a cadeia, conectando planejamento, suprimentos, estoques, logística, atendimento e gestão de riscos. Quando a transformação fica restrita a etapas isoladas, a empresa pode acelerar um processo sem eliminar os gargalos que surgem antes ou depois dele.

Inteligência artificial avança, mas ainda de forma exploratória

A inteligência artificial já chegou ao Supply Chain, porém sua aplicação permanece em estágio inicial. Segundo o IMTS, 88% das empresas utilizam IA generativa, evidenciando a rápida disseminação de ferramentas mais acessíveis para criação, síntese e apoio a atividades do dia a dia.

Essa presença, entretanto, ainda não representa uma adoção estruturada. O estudo aponta que 59% das empresas não possuem aplicações estruturadas de IA. Além disso, somente 14% estão em níveis avançados no uso de agentes de IA, enquanto 37% utilizam IA embarcada em plataformas de Supply Chain.

Os números revelam um momento de experimentação. Muitas organizações já testam a IA para apoiar análises, produzir conteúdos, organizar informações ou aumentar a produtividade individual. O próximo passo é integrá-la a processos críticos, com objetivos claros, governança, dados adequados e métricas de resultado.

Em Supply Chain, esse avanço pode abrir espaço para aplicações em previsão de demanda, análise de riscos, otimização de estoques, identificação de anomalias, simulação de cenários e automação de decisões. Para chegar a esse nível, porém, as empresas precisam superar a distância entre iniciativas pontuais e uma estratégia de IA conectada ao negócio.

Capacitação é a principal barreira para a evolução

Se a tecnologia está mais disponível, por que a maturidade não avança na mesma velocidade? Para 54% das empresas, a capacitação da equipe é a principal barreira à evolução tecnológica.

O dado reforça que transformação digital não é apenas um projeto de sistemas. Novas ferramentas modificam rotinas, responsabilidades e formas de tomar decisões. Sem conhecimento para interpretar dados, redesenhar processos e utilizar as soluções com segurança, a tecnologia corre o risco de ser subutilizada.

Capacitar também não significa apenas ensinar funcionalidades. As equipes precisam desenvolver visão analítica, repertório de negócio e capacidade de trabalhar em conjunto com tecnologia, dados e outras áreas da organização. Ao mesmo tempo, as lideranças devem criar espaço para experimentação, aprendizagem e revisão dos modelos de trabalho.

Reforma Tributária expõe outra lacuna relevante

O IMTS chama atenção ainda para um tema urgente: 73% das empresas não utilizam tecnologias para avaliar o impacto da Reforma Tributária.

Para Supply Chain, as mudanças tributárias podem influenciar decisões de sourcing, formação de estoques, desenho da malha logística, localização de centros de distribuição, custos de transporte e relacionamento com fornecedores. Avaliar esses efeitos apenas de forma manual ou fragmentada pode dificultar a comparação de cenários e aumentar o risco das decisões.

Ferramentas de análise, simulação e planejamento podem ajudar as organizações a compreender impactos, testar alternativas e preparar a operação para diferentes cenários. O dado do IMTS, portanto, funciona como um alerta: a preparação tecnológica para uma mudança estrutural ainda é limitada em grande parte das empresas.

Como transformar o diagnóstico em um roadmap de evolução

Os resultados do IMTS não devem ser interpretados como uma corrida para adotar todas as tecnologias disponíveis. A maturidade cresce quando a empresa consegue definir prioridades e construir uma trajetória coerente com sua estratégia.

Esse caminho pode começar por cinco movimentos:

  1. Diagnosticar o estágio atual, considerando processos, sistemas, dados, pessoas e governança.
  2. Identificar os gargalos de maior impacto, evitando iniciativas desconectadas das necessidades do negócio.
  3. Definir prioridades e resultados esperados, com indicadores claros de eficiência, nível de serviço, risco ou geração de valor.
  4. Desenvolver as competências da equipe, preparando profissionais e lideranças para novas formas de trabalho.
  5. Construir um roadmap progressivo, combinando ganhos rápidos com projetos estruturantes de médio e longo prazo.

O próprio Framework IMTS foi desenvolvido como ferramenta de autodiagnóstico para que as organizações identifiquem seu posicionamento e tracem esse roadmap de evolução tecnológica em Supply Chain.

O próximo nível da transformação em Supply Chain

O cenário apresentado pelo IMTS mostra que a transformação tecnológica já começou, mas ainda precisa ganhar profundidade. As empresas avançaram na adoção de plataformas e no contato inicial com a inteligência artificial. Agora, o desafio é integrar tecnologias aos processos, estruturar aplicações, preparar as equipes e conectar investimentos a resultados concretos.

Em um ambiente marcado por volatilidade, mudanças regulatórias e pressão crescente por eficiência, conhecer o próprio nível de maturidade deixa de ser apenas um exercício de comparação. Torna-se um ponto de partida para decisões mais consistentes.

Quer descobrir em qual estágio sua empresa está? Conheça o IMTS, participe da pesquisa e acesse os dados e insights do benchmark nacional de maturidade tecnológica em Supply Chain.

Conheça o IMTS e acesse a pesquisa

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