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10 motivos para comprar viagens corporativas em um marketplace que compara preços entre agências

Por que Compras deve cotar viagens em um marketplace multiagência? Veja 10 motivos, dados de mercado e um checklist para escolher a plataforma certa.

Um marketplace de viagens corporativas é uma plataforma de gestão de viagens em que várias agências de viagens homologadas pela própria empresa, apresentam em tempo real o preço final de cada viagem. Para a área de Compras, isso transforma cada reserva em uma cotação competitiva e ataca o custo da tarifa, e não apenas o fee da agência.

Em Compras, a regra é conhecida: nenhuma aquisição relevante acontece sem cotação. Matéria-prima, frete, MRO, serviços — tudo passa por concorrência. A viagem corporativa, porém, costuma ser exceção. Na maioria das empresas, ela é decidida em um RFP a cada dois ou três anos, vencido por quem oferece o menor fee de transação. O detalhe é que esse fee representa aproximadamente 1% do valor da transação — ou seja, o fornecedor é escolhido olhando apenas 1% do valor da viagem. Os outros 99% (tarifas, diárias, taxas) raramente entram em comparação, e todas as compras do período vão para um único fornecedor, sem que ninguém compare o preço de cada viagem.

O tamanho do que está em jogo não é pequeno. As agências associadas à Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas) faturaram R$ 13,68 bilhões em 2025, o maior volume da série histórica da entidade. No mundo, a GBTA projeta que o gasto com viagens corporativas chegue a US$ 1,71 trilhão em 2026, alta de 7,2%, enquanto o número de viagens deve crescer apenas 1,3%. Traduzindo para a linguagem de Compras: o gasto está subindo por causa de preço, não de volume. E quando o preço é a variável que mais cresce, comparar preço deixa de ser opção e vira obrigação.

É nesse ponto que entram as travel tech — um estudo da Loupit mapeou 226 delas atuando no Brasil, em 16 categorias — e o modelo de marketplace multiagência.

Patrick Tytgadt - Escritório 3_leve

O que é um marketplace de viagens corporativas?

Um marketplace de viagens corporativas é uma plataforma de gestão de viagens (travel management platform) que funciona como um OBT multiagência: uma ferramenta de autoatendimento conectada a várias agências de viagens corporativas ao mesmo tempo. O viajante ou o gestor pesquisa uma única vez; cada agência homologada devolve sua oferta com o preço final, fee incluso; e a plataforma compara tudo lado a lado, em tempo real, aplicando a política de viagens da empresa antes da emissão.

A agência continua fazendo o que faz de melhor — emissão, remarcação, atendimento 24x7, suporte em emergências, grupos e eventos. O que muda é o modelo de compra: sai o fornecedor único escolhido de tempos em tempos, entra a concorrência a cada reserva.

Agência única, OBT e marketplace: qual a diferença?

Critério

Agência única (modelo tradicional)

OBT tradicional (uma agência)

Marketplace (OBT multiagência)

Quem oferta o preço

Uma agência

Uma agência, via ferramenta online

Várias agências homologadas, em tempo real

Quando existe concorrência

No RFP, a cada 2 ou 3 anos

No RFP, a cada 2 ou 3 anos

Em cada compra

O que o bid compara

Principalmente o fee

Fee e licença da ferramenta

Preço final da viagem

Visibilidade da diferença de preço

Nenhuma

Nenhuma

Total, na primeira tela

Risco de fornecedor único

Alto

Alto

Baixo

Papel da tecnologia

Apoio operacional

Autoatendimento

Comparação, governança e dados

 

Os 10 motivos

1. O bid de viagens compara o 1% e ignora os 99%

O fee da agência representa, em média, cerca de 1% do valor de cada transação; os outros 99% são a tarifa aérea, a diária de hotel, a locação e as taxas — e raramente entram em qualquer comparação. Ainda assim, a maioria dos RFPs de viagens corporativas é decidida pelo fee.

Em outras palavras: o fornecedor de viagens corporativas é escolhido olhando apenas 1% do valor da viagem. Os 99% restantes — justamente onde está o dinheiro — ficam fora da concorrência durante todo o contrato. Nenhuma outra categoria relevante de Compras seria homologada assim: seria como escolher um fornecedor de matéria-prima comparando apenas o custo do frete.

Um exemplo hipotético ajuda a dimensionar. Uma empresa gasta R$ 10 milhões por ano em viagens, e o fee equivale a cerca de 1% desse valor. Uma negociação dura que reduza o fee em 30% gera uma economia de R$ 30 mil. Já uma diferença de apenas 5% no preço das passagens e hotéis — sobre os outros R$ 9,9 milhões — representa perto de R$ 500 mil. O marketplace desloca a concorrência para onde está o dinheiro: o preço da viagem.

2. A mesma viagem tem preços diferentes em agências diferentes

Cada agência de viagens corporativas trabalha com acordos, consolidadoras, integradores, markups e estratégias comerciais próprios — por isso, a mesma viagem pode ter preços bem diferentes dependendo de onde é comprada. No estudo da Loupit com 164 empresas, a diferença de preço entre vendedores para a mesma viagem chegou a 32%.

Com uma única agência, essa diferença existe, mas é invisível. Em um marketplace, ela aparece na tela no momento da compra.

3. Cada compra vira uma cotação — e não só o RFP

Tarifas aéreas e diárias de hotel mudam a cada minuto, conforme a gestão de receita das companhias e das redes hoteleiras. Um contrato assinado há dois anos não acompanha essa dinâmica.

O RFP tradicional congela uma condição comercial; o marketplace mantém a concorrência viva em cada reserva. É a lógica do strategic sourcing aplicada em tempo real: em vez de uma grande concorrência periódica, milhares de pequenas concorrências automáticas ao longo do ano. Não surpreende que, no mesmo estudo com 164 empresas, 71% declararam já cotar viagens corporativas em mais de uma fonte — geralmente de forma manual, por e-mail e planilha.

4. Preço final comparável desde a primeira tela

Comparar preço só funciona quando se compara o custo total. Uma tarifa aérea mais barata com fee maior, ou uma diária com taxas escondidas, distorce qualquer análise.

Em um marketplace bem estruturado, cada agência exibe o preço final com fee incluso já no resultado da busca, seguindo as mesmas regras para todos os participantes. É a comparação "maçã com maçã" que Compras exige em qualquer categoria — agora aplicada à viagem corporativa, de forma automática e auditável.

5. Política de viagens e compliance aplicados antes da emissão

O melhor momento para barrar um gasto fora da política é antes de ele acontecer, não na auditoria do mês seguinte.

Uma plataforma de gestão de viagens moderna parametriza antecedência mínima, classe tarifária, teto de diária, alçadas de aprovação e centros de custo — e usa inteligência artificial para auditar cada pedido antes da emissão. Segundo a Loupit, a auditoria por IA combinada à cotação multiagência já gerou R$ 9 milhões em economia para sua base de 54 clientes. A tendência conversa diretamente com o que o mercado discute sobre agentes de IA em procurement: a tecnologia deixa de apenas apoiar e passa a executar parte da decisão, dentro de regras definidas pela empresa.

6. Fim da dependência de fornecedor único

Concentrar 100% de uma categoria crítica em um único fornecedor é um risco que Compras não aceitaria em nenhuma outra frente.

Se a agência única enfrenta instabilidade operacional, troca de equipe, falha no atendimento ou dificuldade financeira, a empresa fica sem alternativa imediata. No marketplace, outras agências já homologadas, já integradas e já conhecidas pelos viajantes estão disponíveis na mesma plataforma. É gestão de risco de fornecedores (SRM) aplicada às viagens: continuidade garantida, sem precisar abrir um novo processo de contratação às pressas.

7. As agências passam a competir por mérito

Quando várias agências disputam cada compra, preço e nível de serviço melhoram — porque quem não entrega perde espaço.

Em um marketplace de viagens corporativas, a ordenação dos resultados parte do melhor preço final e pode considerar critérios de desempenho, como tempo de emissão, prazo de resposta a pedidos offline, atendimento 24x7 e avaliação dos próprios clientes. A relação deixa de ser "contrato assinado, condição garantida" e passa a ser renovada a cada reserva. Para a empresa, isso significa um SLA sustentado pela concorrência, não apenas por cláusula contratual.

8. Dados unificados: visibilidade real do gasto

Não se negocia o que não se enxerga. Em muitas empresas, os dados de viagens estão espalhados entre relatórios de agência, faturas, cartões e planilhas de reembolso.

Ao concentrar a compra em uma única plataforma — mesmo com várias agências —, a empresa passa a ter visão consolidada por rota, companhia aérea, hotel, centro de custo, viajante e agência. Esse dado alimenta negociações diretas com companhias aéreas e redes hoteleiras e permite comparar o desempenho das agências com números, não com percepção. É um passo concreto na maturidade tecnológica que o IMTC — Índice de Maturidade Tecnológica em Compras do Inbrasc acompanha no mercado brasileiro.

9. Integração ponta a ponta: viagem, despesas e ERP

A viagem não termina na emissão do bilhete. Depois dela vêm adiantamentos, despesas, prestação de contas, reembolso, contabilização e documentos fiscais.

As plataformas de gestão de viagens mais completas unem, em um mesmo fluxo, a solicitação, a aprovação, a cotação multiagência, a emissão, a gestão de despesas (expense) e a integração com o ERP via API. Para Compras e Financeiro, isso reduz retrabalho, melhora o controle e dá rastreabilidade a cada transação — algo que ganha peso com a transição da Reforma Tributária e seus impactos na gestão de viagens.

A mobilidade urbana também entra no mesmo fluxo. Corridas de Uber e táxi costumam ser um dos gastos menos controlados da viagem: são pagas no cartão pessoal, chegam em reembolso dias depois e raramente passam por política. Em uma plataforma de gestão de viagens completa, o viajante compara os preços de Uber, 99 e táxi antes de pedir, solicita a corrida pelo próprio app já dentro das regras da empresa — com limites por usuário, centro de custo ou trecho — e a despesa cai automaticamente na prestação de contas, com aprovação e relatório integrados.

Várias agências não significam várias contas a pagar. A empresa pode utilizar a mesma conta de cartão de crédito corporativo virtual em todas as agências homologadas e concentrar tudo em um único pagamento mensal. Para o Contas a Pagar, a operação continua tão simples quanto com uma agência só — com a vantagem de ter concorrência de preço em cada compra.

10. Você não troca de agência: adiciona concorrência

Adotar um marketplace não exige romper com a agência atual. Ela pode ser uma das agências homologadas e continuar atendendo a empresa — agora competindo em igualdade de condições com outras.

Isso reduz drasticamente o custo de mudança: não há um RFP longo, uma transição traumática nem a perda do relacionamento construído ao longo dos anos. A empresa mantém o atendimento humano especializado — essencial em emergências, grupos e viagens complexas — e acrescenta a única coisa que faltava ao modelo: concorrência de preço em cada compra.

O B2C já mostrou o caminho

Na vida pessoal, quase ninguém compra uma passagem sem comparar. Metabuscadores como Skyscanner, Kayak e Trivago mudaram o turismo de lazer ao colocar vários fornecedores em uma única tela. No mercado corporativo, a lógica é ainda mais forte — o orçamento é maior, as compras são recorrentes e existe governança a cumprir. O marketplace de viagens corporativas é a versão B2B desse movimento, acrescida do que o ambiente empresarial exige: política de viagens, aprovações, faturamento corporativo, dados consolidados e atendimento 24x7.

 

Checklist: como avaliar um marketplace de viagens corporativas

Antes de escolher uma plataforma, a área de Compras pode verificar:

  • Preço final na primeira tela: as ofertas de todas as agências aparecem com fee incluso e sob as mesmas regras de exibição?
  • Neutralidade: a plataforma ordena os resultados primeiro por preço, com critérios de desempate transparentes?
  • Liberdade de escolha: a empresa escolhe quais agências homologar e pode substituí-las sem penalidade?
  • Governança: política de viagens, alçadas e centros de custo são aplicados antes da emissão?
  • Atendimento: cada agência garante atendimento humano 24x7 para as viagens que emitiu?
  • Privacidade e LGPD: as agências enxergam apenas os dados das operações que atendem?
  • Integrações: há gestão de despesas integrada e conexão com o ERP via API?
  • Mobilidade: corridas de Uber, 99 e táxi podem ser comparadas, solicitadas e controladas dentro da mesma plataforma e da mesma política?
  • Pagamento centralizado: é possível usar a mesma conta de cartão de crédito virtual em todas as agências e ter um único pagamento mensal?
  • Modelo comercial: está claro quem remunera a plataforma e se há custo de adesão, licença ou mensalidade para a empresa?

Caso real: o 1% que custava os outros 99%

O Grupo Inttra, cliente da Loupit, viveu esse dilema na prática. Segundo Romero Ribeiro, gerente de Compras do grupo, a agência anterior havia sido escolhida pela menor taxa de transação — e só depois ficou claro que as tarifas pagas estavam bem acima do que o mercado oferecia. Com a cotação multiagência e a auditoria por IA barrando gastos fora da política antes da emissão, o grupo registrou redução de 31% no ticket médio e cerca de R$ 1 milhão economizado no primeiro mês de operação.

Perguntas frequentes

Por que o fee da agência não deve ser o principal critério para escolher o fornecedor de viagens?

Porque o fee representa aproximadamente 1% do valor da transação. Os outros 99% — tarifas aéreas, diárias de hotel, locações e taxas — raramente são comparados, e é neles que está a maior oportunidade de economia. Escolher a agência pelo fee é decidir o fornecedor olhando apenas 1% do valor da viagem.

O marketplace de viagens corporativas substitui a agência de viagens?

Não. As agências de viagens corporativas continuam responsáveis pela emissão, pelo atendimento 24x7, pelas remarcações e pelo suporte ao viajante. O marketplace muda o modelo de compra, colocando várias agências homologadas para competir em cada reserva.

Qual a diferença entre um marketplace de viagens e um OBT?

O marketplace multiagência também é um OBT: o viajante ou o gestor faz a busca, reserva e emite de forma autônoma, dentro da política de viagens. A diferença é que o OBT tradicional (online booking tool) é uma ferramenta de autoatendimento vinculada a uma única agência, enquanto o marketplace é um OBT conectado a múltiplas agências ao mesmo tempo, que compara o preço final de todas elas em tempo real na mesma plataforma de gestão de viagens.

Quantas agências a empresa deve homologar?

Na maioria dos programas de viagens, duas ou três agências já são suficientes para gerar concorrência efetiva de preço sem aumentar a complexidade de gestão.

Comparar preços entre agências dá mais trabalho para Compras?

Não. A cotação é automática: o viajante ou o gestor faz uma única busca e a plataforma apresenta as ofertas de todas as agências homologadas lado a lado, já dentro da política de viagens.

Ter várias agências significa receber várias faturas?

Não necessariamente. A empresa pode utilizar a mesma conta de cartão de crédito virtual em todas as agências homologadas e concentrar as compras em um único pagamento mensal, mantendo o processo de Contas a Pagar tão simples quanto com uma agência só.

O marketplace de viagens corporativas também controla corridas de Uber e táxi?

Sim, nas plataformas mais completas. O viajante compara Uber, 99 e táxi antes de pedir, solicita a corrida pelo app dentro da política da empresa e a despesa entra automaticamente na prestação de contas, junto com passagens, hotéis e locação de carros.

Como fica o atendimento em uma emergência durante a viagem?

A agência que emitiu a reserva é responsável pelo suporte antes, durante e depois da viagem, em regime 24x7, como em qualquer contrato de agência de viagens corporativas.

A empresa paga para usar um marketplace de viagens corporativas?

Depende do modelo. Em algumas plataformas, a empresa paga licença ou mensalidade; em outras, a plataforma é remunerada pelas agências participantes e o uso é gratuito para a empresa. Vale incluir esse ponto na avaliação de TCO.

Conclusão

A viagem corporativa é uma das poucas categorias relevantes que ainda escapam da lógica básica de Compras: comparar antes de comprar. Com o gasto crescendo mais por preço do que por volume, manter o modelo de fornecedor único significa aceitar uma diferença de preço que ninguém mede. O marketplace de viagens corporativas resolve isso sem abrir mão do que as agências fazem de melhor — e coloca a tecnologia a serviço da concorrência, da governança e dos dados.

Quer aprofundar o tema? Patrick Tytgadt apresenta a palestra "A taxa de 1% da agência que custa os outros 99%" no Fórum de Compras & Sourcing, nos dias 6 e 7 de outubro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.


 *Por Patrick Tytgadt, CEO e fundador da Loupit  

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