Quem trabalha com compras conhece o problema. A negociação com a agência de viagens corporativas foi bem-feita, o contrato está assinado e a política está publicada. Mesmo assim, uma parte relevante do gasto escapa pela ponta. Em viagens isso é ainda mais comum. A decisão de compra está pulverizada entre dezenas ou centenas de viajantes, e cada um escolhe o hotel na hora, longe de qualquer aprovação.
A Besox enfrentava exatamente esse cenário. A solução que adotou não aumentou o controle. Ela mudou o incentivo de quem compra. O resultado foi −8% no ticket médio e +37% de adesão à política de viagens.
A Besox tinha uma política bem estruturada, com teto de diária, antecedência mínima de compra, hotéis preferenciais e classe econômica em trechos curtos. O documento era conhecido, e mesmo assim o desvio era rotina.
"A gente cobrava disciplina sem oferecer nada em troca", resume Christian Santos, gerente de compras da Besox. "Se escolher o hotel mais caro não custa nada para o viajante, ele vai escolher."
Em linguagem de procurement, é um desalinhamento clássico entre quem decide e quem paga. O custo do desvio fica com a empresa e o conforto do desvio fica com o viajante. Nenhum volume de e-mails, advertências ou etapas de aprovação resolve isso de forma sustentável. Cada nova camada de controle adiciona atrito, tempo de processo e custo administrativo.
A Besox adotou o programa de cashback corporativo da Loupit, travel tech e marketplace de viagens corporativas em que diferentes agências disputam cada reserva. A regra do programa é simples e pública:
O crédito é pessoal e pode ser resgatado em viagens de lazer. A compra não é bloqueada, não há multa e não há aprovação adicional. O viajante simplesmente passa a ter um motivo concreto para comprar como o departamento de compras compraria. A tecnologia faz o resto, porque mostra a regra e a recompensa no mesmo lugar onde a decisão acontece.
É esse último ponto que costuma convencer o CFO. Se o desvio custava mais do que o prêmio, pagar o prêmio é a opção mais barata disponível.
O objetivo era financeiro, mas o RH também capturou valor. O viajante frequente costuma ser o comercial, o técnico de campo ou o gerente de projeto, perfis caros de repor. Ele passou a perceber o programa como um reconhecimento do desgaste pessoal de viajar a trabalho.
"Economia foi o resultado que a diretoria pediu. Retenção foi o resultado que a gente não sabia que estava comprando junto", diz Christian Santos.
Para compras, isso também tem valor. A área deixa de ser vista como "a polícia da viagem" e o atrito com as áreas de negócio diminui.
No dia 7 de outubro de 2026, eu e Leonardo Crispim, CTO da Loupit, subimos ao palco do Fórum de Compras para debater como fazer uma gestão de viagens corporativas eficiente. Vamos discutir porque a taxa da agência domina as concorrências enquanto o verdadeiro gasto está no preço da viagem, como a travel tech e a inteligência artificial estão mudando a comparação entre fornecedores e como incentivos bem desenhados, como no caso Besox, elevam a adesão à política sem burocracia.
Se viagens corporativas estão na sua carteira de categorias, vale reservar esse horário na agenda.
Quer estimar o impacto na sua empresa? Use o simulador de economia da Loupit, entenda como funciona o marketplace de viagens corporativas ou conheça o programa de cashback corporativo.
Por Patrick Tytgadt, CEO da Loupit e especialista em Travel Tech
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