Entre os diversos cases apresentados na 22ª Maratona de Supply Chain, um dos que mais chamou a atenção foi o compartilhado por Márcia Gonçalves, Diretora de Suprimentos e Logística, e Raquel Delamico, Gerente de Compras Estratégicas da Mineração Taboca. A palestra trouxe uma provocação simples, mas extremamente relevante para qualquer líder de Compras e Supply Chain:
As executivas apresentaram o conceito de Spend Analysis 2.0, uma evolução da análise tradicional de gastos que transforma dados em inteligência de negócio, permitindo identificar oportunidades escondidas dentro de contratos, escopos, reajustes e categorias aparentemente já negociadas.
Muito além de um relatório de gastos
Tradicionalmente, análises de spend costumam responder apenas uma pergunta: quanto foi gasto?
O Spend Analysis 2.0 deixa de ser uma fotografia histórica para se tornar um processo contínuo de gestão, apoiando decisões estratégicas, fortalecendo negociações, evitando aumentos de custos e garantindo monitoramento permanente dos resultados.
A lógica muda completamente: em vez de olhar apenas para o passado, o foco passa a ser descobrir onde existe valor escondido e como capturá-lo.
Oportunidades relevantes podem estar presentes em situações que passam despercebidas na rotina corporativa:
É justamente nessas distorções que surgem oportunidades de geração de savings e aumento de eficiência sem necessidade de grandes transformações operacionais.
A metodologia apresentada pela Taboca pode ser resumida em seis etapas principais:
Etapas |
Objetivo |
| Dados Integrados | Cruzar contratos, consumos, preços, escopos e histórico de gastos |
| Baseline Correta | Avaliar se preços e condições ainda fazem sentido para o cenário atual |
| Priorização Estratégica | Direcionar esforços para categorias com maior potencial de ganho |
| Governança Integrada | Concetarcompras, áreas técnicas, financeiroe liderança |
| Execução | Transformar análises em negociadossejam efetivamente realizados |
| Monitoramento Contínuo | Garantir que os saving negociados sejam efetivamente realizados |
Um dos principais aprendizados compartilhados foi que Compras não negocia sozinha. A participação das áreas técnicas, financeiras e de governança é essencial para validar escopos, medir impactos e garantir sustentabilidade das decisões.
Iniciativa estruturada para transformar análise em resultado.
A preparação envolveu seleção de fornecedores estratégicos, alinhamento da liderança, construção de playbooks de negociação, definição de abordagens específicas e treinamento das equipes antes do evento.
Esse modelo ajuda organizações a direcionarem investimentos, reduzirem vulnerabilidades e aumentarem eficiência estratégica. Dados bem trabalhados geram argumentos mais fortes, negociações mais consistentes e bons resultados para o negócio.
| Indicador | Resultados |
| Spend Total negociado |
59% |
| Redução negociada anual | 7% |
| Custo evitado | 7% |
| Contratos revisados | Mais de 60 |
| Fornecedores envolvidos | 68 |
| Horas de negociação | Mais de 140 horas |
| Engajamentoda equipe de suprimentose logística | 100% |
Além dos ganhos financeiros, a empresa destacou benefícios como maior previsibilidade orçamentária, redução de pleitos de reajuste e fortalecimento do relacionamento com fornecedores.
A maior lição compartilhada por Márcia Gonçalves e Raquel Delamico seja que o spend não deve ser tratado como um evento anual ou um simples relatório financeiro.
Quando estruturado com método, governança e colaboração entre áreas, ele se transforma em uma poderosa ferramenta estratégica para geração de valor.
Porque, no fim das contas, o dinheiro escondido não está necessariamente em novos projetos. Muitas vezes, ele já está dentro da empresa esperando apenas uma análise mais inteligente para ser encontrado!