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Matriz de Inovação em Compras

Written by Live University - Inbrasc | Mar 9, 2026 7:40:28 PM

Matriz de Inovação em Compras

 

O Supply Leaders Club, iniciativa da Live University, reuniu executivos de Compras em um encontro inovador no formato World Café. O objetivo foi construir de forma colaborativa uma Matriz de Inovação em Compras, capaz de revelar o que já está consolidado no presente, quais práticas e tecnologias estão em rápida ascensão e quais ainda são emergentes, mas com potencial disruptivo para o futuro.

 A metodologia aplicada permitiu que todos os participantes passassem por três mesas temáticas, organizadas em rodadas sucessivas de discussão. Cada mesa representava um horizonte de inovação: Itens Maduros, já consolidados; Itens Emergentes, tendências que exigem adoção no curto prazo; e Itens Novos, inovações que ainda estão em estágio inicial, mas que podem transformar radicalmente a área nos próximos anos.

As ideias foram organizadas em uma matriz com dois eixos centrais: Impacto (baixo a alto) e Tempo (curto a longo prazo). O resultado foi um mapa visual da evolução das Compras, permitindo aos profissionais enxergar com clareza o que é prioridade hoje e o que deve estar no radar estratégico para os próximos anos. 

 Além das discussões do encontro, este relatório integra dados de mercado e pesquisas internacionais para reforçar a análise e oferecer um panorama robusto e aplicável. O resultado é um material de referência que combina a experiência coletiva dos participantes com evidências globais sobre inovação em Procurement.

 

 Acesse aqui as Matrizes Digitais no Miro


Para aprofundar sua análise, consulte a versão digital das matrizes, com todos os post-its e contribuições organizadas pelos grupos de discussão: 

 Itens Maduros – As fundações das Compras modernas


As discussões sobre práticas já consolidadas foram conduzidas por Mayara Lima, Head de Procurement da Siemens, que trouxe a perspectiva de um setor industrial altamente regulado e competitivo. Sob sua moderação, o grupo destacou que ferramentas como e-procurement, BI, RPA e compliance já não representam vantagem competitiva, mas sim o mínimo esperado para garantir eficiência e governança.

A automação também aparece como elemento consolidado, com Robotic Process Automation (RPA) aplicado a processos de P2P e tail spend, liberando equipes para atividades de maior valor agregado. A gestão de contratos e compliance está mais estruturada, com políticas claras e auditorias periódicas que garantem governança. Práticas como leilões eletrônicos e uso de inteligência de mercado para monitoramento de fornecedores também se tornaram comuns.

 No entanto, os participantes reforçaram que esses elementos já não representam diferenciais competitivos. Assim como destacou o mediador de uma das mesas, “as práticas maduras são como infraestrutura: se não existem, a empresa nem consegue operar; se existem, apenas cumprem o mínimo esperado”.

Esse entendimento está alinhado com pesquisas internacionais. Segundo a Deloitte (Global CPO Survey 2023), mais de 80% dos líderes de Compras já adotam ferramentas digitais básicas como e-sourcing, spend analysis e contratos eletrônicos. Ou seja, o que antes era inovação hoje é simplesmente obrigação operacional. 

 

 Itens Emergentes – Tendências que exigem ação imediata

O debate sobre tendências em ascensão foi moderado por Carlos Marcondes, Diretor da UpFlux, especialista em process mining e automação inteligente. Sua condução levou o grupo a refletir sobre como IA, auditorias em tempo real, SRM evoluído e capacitação digital já estão batendo à porta das organizações, exigindo ação imediata.
O ponto mais recorrente foi o avanço da Inteligência Artificial aplicada às Compras. Ferramentas de BI automatizado, dados preditivos e mineração de informações permitem prever demandas, identificar riscos e recomendar estratégias de negociação em tempo real.
Além disso, a automação inteligente (RPA + IA) já começa a ser aplicada não apenas em tarefas transacionais, mas também na análise de propostas, equalização de custos e geração de relatórios. Essa transformação amplia a capacidade analítica do comprador e reduz o tempo gasto em processos operacionais.
No campo de Risk & Compliance, emergem auditorias em tempo real e monitoramento contínuo de riscos fiscais, financeiros e tributários. A integração com bases externas e algoritmos de IA permite identificar irregularidades antes que causem impacto, reduzindo fraudes e aumentando a confiabilidade dos processos.
Outro tema em destaque foi a evolução do Supplier Relationship Management (SRM). A homologação automatizada de fornecedores, marketplaces B2B integrados e plataformas colaborativas ganham força, permitindo maior eficiência e ampliação da base de fornecedores qualificados. Esse movimento está alinhado à pesquisa da McKinsey (Future of Procurement 2023), que destaca a colaboração ampliada com fornecedores como um dos cinco fatores mais críticos para a resiliência da cadeia.
Os aspectos humanos também foram valorizados. Os participantes destacaram que o comprador do futuro deve assumir o papel de Business Partner de inovação, atuando como consultor das áreas internas e não apenas como negociador. Isso implica revisar competências, liderar agentes digitais de IA, treinar equipes em ferramentas tecnológicas e adotar políticas de remuneração variável alinhadas à performance.
Segundo a Deloitte, 72% dos Chief Procurement Officers acreditam que IA, automação e analytics serão o principal diferencial competitivo até 2025. Esse dado reforça que os itens emergentes não são apenas tendências, mas prioridades imediatas para quem deseja manter competitividade. 

 

 Itens Novos – Inovações disruptivas no horizonte


A mesa sobre inovações disruptivas contou com a moderação de Alex Leite, Diretor Corporate da Live University, que estimulou os participantes a explorar horizontes ainda incipientes, como blockchain, smart contracts, computação quântica e economia circular. O foco esteve na visão de longo prazo e no papel do comprador como líder de times híbridos (pessoas + IA).
A computação quântica também foi citada como uma possibilidade futura para análises complexas de risco e cenários de simulação que hoje demandam alto processamento. Embora ainda distante da realidade prática, já figura no radar de inovação.
Os participantes discutiram ainda o papel de robôs autônomos na gestão de tail spend e categorias de baixo valor, possibilitando maior eficiência e redução de custos. No campo do Supplier Management, surgem iniciativas de ecossistemas colaborativos de fornecedores, onboarding compartilhado entre empresas-clientes e maior foco no desenvolvimento de fornecedores de segundo e terceiro níveis.
Em Risk & Resilience, a visão é de uma gestão totalmente integrada por IA, capaz de monitorar riscos operacionais e financeiros em tempo real, além de apoiar o planejamento colaborativo de demanda em parceria com fornecedores. Já em ESG, ganham espaço conceitos como consumo consciente, economia circular e cadeias sustentáveis.
Esse cenário conecta-se à visão da Gartner (Autonomous Procurement 2030), segundo a qual até 50% dos processos transacionais de Compras serão autônomos até o fim da década, permitindo que profissionais concentrem esforços em atividades estratégicas e sustentáveis. Os participantes também destacaram o papel do Comprador do Futuro, que será responsável por liderar times híbridos, compostos por pessoas e agentes digitais de IA. Esse comprador deverá combinar habilidades técnicas, visão estratégica e liderança para integrar inovação, dados e tecnologia na tomada de decisão. 


 Competências do Comprador do Futuro

As três matrizes evidenciam que a transformação das Compras não é apenas tecnológica, mas também humana. O Comprador do Futuro precisa desenvolver um conjunto de competências que combinem hard e soft skills. Durante o encontro, realizamos um quiz interativo no Mentimeter para captar a visão dos próprios participantes sobre as competências mais relevantes para o futuro da função. O resultado foi projetado em tempo real e mostrou de forma clara onde estão as maiores expectativas de evolução para o perfil do comprador.


Resultado do quiz - Competências para o profissional do futuro em Compras:


Entre as hard skills, destacam-se a capacidade de análise avançada de dados, domínio de ferramentas de automação, conhecimento em blockchain e contratos digitais, além de expertise em negociação estratégica e gestão de riscos.


Hard Skills para o profissional do futuro de Compras 

 Já as soft skills tornam-se ainda mais essenciais: pensamento crítico, comunicação clara, influência sobre stakeholders, liderança de times híbridos e capacidade de conduzir processos de mudança organizacional. 

 
 Soft Skills para o profissional do futuro em Compras 

 De acordo com a McKinsey (2023), 60% das atividades de Compras podem ser automatizadas, mas a liderança humana continuará sendo decisiva para interpretar dados, construir relacionamentos e tomar decisões estratégicas. 

 

 Conclusão

O encontro do Supply Leaders Club demonstrou que a inovação em Compras é uma jornada contínua. O primeiro passo é consolidar os itens maduros, que representam as bases obrigatórias. Em seguida, é necessário acelerar a adoção dos itens emergentes, que já impactam o presente e definem a competitividade no curto prazo. Por fim, é essencial acompanhar e se preparar para os itens novos, que podem redefinir completamente a função de Compras em um futuro próximo.
Mais do que implementar tecnologias, inovar em Compras significa integrar pessoas, processos e plataformas digitais em uma visão estratégica de criação de valor. Essa transformação, como destacaram os participantes, exige profissionais preparados para liderar tanto a dimensão tecnológica quanto a dimensão humana da função.
Ao disponibilizar este material, a Live University reforça seu compromisso em fomentar o conhecimento aplicado, formar líderes preparados e criar um ecossistema de aprendizagem contínua para os profissionais de Compras.