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A nova lógica dos fretes: estratégia, eficiência e resiliência na gestão de Supply Chain

Written by Live University - Inbrasc | Aug 6, 2026, 6:05:06 PM

As transformações do mercado estão mudando a forma como as empresas gerenciam seus fretes 

Mais do que negociar custos, os líderes de Supply Chain precisam construir operações resilientes, eficientes e preparadas para responder às incertezas. Os cases compartilhados por Corteva, Epson e WAP durante o encontro do Supply Leaders Club mostraram que essa mudança já está acontecendo.

Durante muito tempo, falar sobre gestão de fretes significava, quase exclusivamente, falar sobre redução de custos. A prioridade era negociar tarifas mais competitivas, buscar novos operadores logísticos e encontrar oportunidades de economia no transporte. Esse cenário mudou.  

As recentes transformações do mercado como as tensões geopolíticas, a crise no Mar Vermelho, as oscilações cambiais, as mudanças tributárias e a crescente pressão por sustentabilidade tornaram evidente que o transporte deixou de ser apenas uma atividade operacional. Hoje, ele influencia diretamente a competitividade, a experiência do cliente e a capacidade das empresas de responder rapidamente às mudanças do mercado.

Foi justamente essa nova realidade que norteou as discussões do encontro do Supply Leaders Club. Embora cada executivo tenha apresentado um caminho diferente para enfrentar a volatilidade dos fretes, todos chegaram à mesma conclusão: não existe uma solução única. Existe estratégia.

Não existe uma fórmula pronta para enfrentar a volatilidade 

Uma das principais reflexões do encontro foi perceber que empresas de diferentes segmentos encontraram respostas distintas para um desafio comum.

Enquanto Talita Fechter, Head de Procurement da Corteva, mostrou como a empresa fortaleceu sua estratégia de negociação com operadores logísticos, Tania Fernandes, Head de Supply Chain & Procurement da Epson, demonstrou que muitos ganhos ainda podem ser conquistados por meio da eficiência operacional. Já Nestor Felpi, Diretor de Operações da WAP, trouxe uma visão voltada ao redesenho da malha logística e ao entendimento profundo da operação e dos clientes. o primeiro passo é identificar onde está a maior oportunidade dentro de cada negócio. 

 A negociação passou a ser uma ferramenta de gestão de riscos  

Ao compartilhar a experiência da Corteva, Talita Fechter mostrou como eventos recentes mudaram a forma de negociar fretes.  Os impactos provocados pela crise no Mar Vermelho e pelas oscilações do transporte marítimo evidenciaram que contratos tradicionais já não oferecem a segurança necessária para um ambiente tão instável.

A resposta da empresa foi incorporar mecanismos que aumentassem a previsibilidade das operações. Cláusulas relacionadas ao Peak Season, definição de limites para cobranças extraordinárias, revisões frequentes do forecast e uma comunicação mais próxima com operadores logísticos passaram a fazer parte da estratégia.

Mais do que reduzir custos, a Corteva buscou reduzir riscos.

Esse movimento mostra uma mudança importante na gestão logística: contratos deixaram de ser apenas documentos comerciais e passaram a funcionar como instrumentos de proteção diante das incertezas do mercado.

 

E se a maior oportunidade estiver dentro da empresa?  

Se a Corteva direcionou seus esforços para o relacionamento com fornecedores, Tania Fernandes trouxe uma provocação diferente: antes de buscar soluções externas, vale a pena olhar para dentro da operação.

Tania reforçou que a logística sempre dá sinais antes que os problemas apareçam nos indicadores financeiros. Retrabalhos, falhas de comunicação, processos pouco padronizados, baixa produtividade e desperdícios operacionais costumam representar oportunidades significativas de melhoria.

Segundo ela, tecnologia é fundamental, mas não substitui o conhecimento profundo da operação.

Visitar centros de distribuição, conversar com as equipes, acompanhar processos e entender a rotina operacional continuam sendo práticas indispensáveis para qualquer líder de Supply Chain.

Outro ponto destacado por Tania foi a importância da cultura organizacional. Mesmo quando novas tecnologias demonstram potencial de retorno, sua adoção depende da disposição das empresas em revisar processos, desenvolver pessoas e construir uma cultura voltada para a melhoria contínua.

Ela também chamou atenção para um aspecto que ganha cada vez mais relevância: a sustentabilidade. A busca por eficiência logística precisa caminhar ao lado da responsabilidade ambiental, tornando-se parte das decisões estratégicas das organizações.

 A operação continua sendo o melhor lugar para encontrar respostas  

Complementando essa visão, Nestor Felpi compartilhou uma perspectiva construída ao longo de sua experiência em operações e consultoria.

Segundo ele, um dos erros mais comuns em projetos de transformação logística é iniciar o diagnóstico apenas por apresentações e indicadores. Antes de propor qualquer mudança, é preciso conhecer a realidade da operação.

Visitar centros de distribuição, acompanhar carregamentos, conversar com operadores e entender como os processos realmente acontecem permite identificar gargalos que dificilmente aparecem em relatórios ou dashboards.

Outro ponto enfatizado por Nestor foi a importância de compreender o comportamento dos clientes antes de redesenhar a malha logística.  Questões como localização dos centros de distribuição, utilização de transit points, cross-docks e definição dos níveis de serviço devem partir de uma análise estratégica da demanda e não apenas da redução de custos.

Essa visão reforça que eficiência logística não depende apenas da operação interna, mas também da capacidade de alinhar a estrutura logística às necessidades do mercado.

A nova lógica dos fretes

Embora as estratégias sejam diferentes, todas apontam para a mesma direção. A gestão de fretes deixou de ser apenas uma negociação de preços.

Ela passou a exigir visão sistêmica, integração entre áreas, uso inteligente da tecnologia e capacidade de adaptação diante de um mercado cada vez mais dinâmico.

No cenário atual, as organizações que transformarem a logística em uma vantagem estratégica estarão mais preparadas não apenas para enfrentar a próxima crise, mas para crescer de forma sustentável em um ambiente onde a mudança deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina.